Acordei cedo no sábado porque ia ter mutirão na praça do bairro.
Levei luvas, uma garrafinha de água e um bolo simples, e desci as escadas do prédio, animada.
Quando cheguei, o pessoal já separava o lixo, e Dona Lúcia, da associação de moradores, distribuía pincéis para pintar o muro.
Começamos pela parte mais suja, e eu segui ao lado do Seu Anselmo, que contava histórias da praça quando era criança.
O sol esquentava, mas a sombra das árvores ajudava, e, a cada saco cheio, a praça parecia respirar melhor.
Depois, pintamos um mural simples, com flores e o nome do bairro, enquanto as crianças esperavam a tinta secar para jogar bola.
Teve um momento em que faltou água para lavar os pincéis, então corri até o bar da esquina e o dono emprestou um balde, dizendo que era para o bem de todos.
De volta, reparti o bolo sobre uma toalha, e a conversa correu solta, com risadas e planos para a próxima ação.
Plantamos mudas de manjericão e tomate perto dos bancos, e combinamos que cada um cuidaria delas um dia da semana.
No fim da manhã, cansada e suja de tinta, olhei a praça limpa e colorida e senti um orgulho quieto, daquele que fica no peito sem precisar de foto.
Saí de lá com novos amigos e a certeza de que, quando a gente puxa junto, o bairro fica mais leve.