Portuguese Stories

The Blue Teapot from Liberdade

Upper Intermediate

Saí mais cedo do trabalho porque, no sábado seguinte, era o aniversário da Camila, e eu queria achar um presente que dissesse algo sobre nossa amizade.

Como ela vive falando de chás e de rituais calmos no fim da tarde, peguei o metrô até a Liberdade, onde as vitrines parecem conversar com quem passa devagar.

Garoava e, entre guarda-chuvas que se esbarravam, fui entrando em lojas pequenas, cheirando a madeira e a gengibre, sem pressa de decidir.

Numa papelaria de cadernos artesanais, a dona sugeriu um marcador de páginas de tecido, mas, embora fosse bonito, não me parecia suficiente para alguém que coleciona chaleiras.

Quase desistindo, virei a esquina e encontrei um ateliê de cerâmica, desses que deixam a porta aberta e o forno aceso, exalando um calor tímido.

O ceramista, com as mãos manchadas de barro, me mostrou uma chaleira azul-cobalto que, mesmo com uma pequena imperfeição na tampa, ficava linda quando a luz batia de lado.

Ele contou que a imperfeição vinha de uma queima difícil feita no inverno, e, enquanto falava, fui entendendo que era justamente isso que dava caráter ao objeto.

Negociamos um preço possível, ele embrulhou com jornal antigo e barbante, e ainda escreveu, de próprio punho, um cartão simples: "Para o chá que acalma e aproxima".

No caminho de volta, equilibrando o pacote no colo dentro do metrô lotado, senti aquela ansiedade boa de quem acha que acertou a mão.

Na segunda-feira, durante o café coletivo do escritório, entreguei o embrulho para a Camila, que abriu devagar, quase como se temesse estragar o som do papel.

Quando ela sorriu e disse que a chaleira parecia ter sido feita para as conversas de quinta-feira à noite, tive certeza de que o presente carregava mais do que o objeto em si.

Comprehension Questions

1. Why did the narrator go to Liberdade?

2. What did the narrator end up buying?

3. Who suggested the bookmark as a gift idea?

4. How did Camila react when she received the gift?

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