O despertador tocou às seis, mas Lucas já estava meio acordado, porque o gato miava na porta.
Levantou devagar, abriu a janela e deixou o ar fresco entrar.
Na cozinha, pôs a água pra ferver, passou o café no coador e abriu um pão francês.
Ligou o rádio baixinho, e o locutor falava do trânsito pesado na cidade.
Tomou um banho rápido, vestiu a camisa passada na noite anterior e calçou os tênis.
Sentou à mesa, passou manteiga no pão ainda quentinho e pensou no que precisava resolver no escritório.
Desceu pra rua com a mochila leve, parou na padaria da esquina e cumprimentou a Dona Cida, que já sabia seu pedido.
Pegou o ônibus cheio, mas conseguiu ficar perto da janela, onde o sol batia de leve.
No grupo da família, chegou um áudio da tia contando piadas; ouviu sorrindo e esqueceu, por um instante, a pressa.
Quando o ônibus dobrou a avenida, lembrou que tinha esquecido o guarda-chuva, porém o céu abriu e o medo passou.
Aproveitou o caminho pra anotar, no celular, uma lista curta de tarefas, e decidiu começar pelo mais chato.
Chegou ao trabalho alguns minutos antes do horário, respirou fundo e pensou que, quando a manhã começa direito, o resto do dia anda melhor.